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Sua geladeira. Eletrodoméstico ou cúmplice?

Sua geladeira. Eletrodoméstico ou cúmplice?

Para um hacker, qualquer geladeira, Smart TV ou termostato conectado à Internet é muito mais do que um simples eletrodoméstico. É uma oportunidade.

Pense no que um hacker conseguiu fazer em setembro de 2016, quando rastreou toda a Internet em busca de dispositivos IoT ("Internet of Things", a Internet das Coisas) protegidos apenas por nomes de usuário e senhas padronizados pelo fabricante, e usando-os em ataques virtuais criando tráfego falso em alvos online (Amazon, Twitter, Tumblr, Spotify e Netflix), até que estes alvos não conseguissem mais dar conta do tráfego legítimo.

As tecnologias conectadas estão sendo desenvolvidas a uma velocidade enorme. Na feira internacional Consumer Electronics Show de janeiro, em Las Vegas, Nevada, foram apresentados alguns dos novos dispositivos com tecnologia de ponta conectados à Internet, como geladeiras que podem encomendar alimentos em falta, lavadoras e secadoras conectadas à Internet que aceitam múltiplas cargas ao mesmo tempo
e um espelho de maquiagem que oferece dicas. E os avanços não pararão por aí.

Isto é apenas o começo.

O conceito de IoT se tornou popular em 1999 com o Auto-ID Center, no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Há dez anos, os principais dispositivos com acesso à Internet eram PCs e laptops; era uma mundo mais fácil de se entender e descrever. Isto mudou rapidamente, contudo, nos anos que se seguiram.

Primeiro, o smartphone mudou a forma como as pessoas consomem serviços online e interagem com o mundo. Outros dispositivos vieram, principalmente aparelhos eletrônicos, e também dispositivos industriais adicionais. Por volta de 2010, a quantidade de dispositivos aumentou proporcionalmente ao número de usuários e o crescimento deu-se principalmente por meio da criação de novos mercados geográficos e da crescente aceitação. Ainda assim, era fácil saber o que estava conectado à Internet e o que não estava.

Ganhando velocidade

P
or volta de 2012, houve uma mudança drástica. Conexões à Internet começaram a surgir para além da escala linear, com o número de usuários e dispositivos crescendo a um ritmo nunca antes visto.

Os pesquisadores prevêem algo em torno de 20-50 bilhões de dispositivos conectados em 2020. Se as previsões se concretizarem, levando-se em conta que há pelo menos 10 bilhões de dispositivos conectados hoje, 250 novos dispositivos terão de se conectar por segundo para alcançarmos esse número. Independentemente do número exato, hoje o número de dispositivos conectados já ultrapassou a população mundial, de cerca de 7,5 bilhões de pessoas.

A Internet pública permite que dispositivos IoT sejam detectados e controlados remotamente, criando oportunidades para uma integração mais direta entre o mundo físico e os sistemas de computadores. Isto resulta em mais eficiência, precisão e benefícios econômicos. Cada "coisa" é individualmente identificável por meio de um sistema de computação integrado, mas é também capaz de interoperar dentro da estrutura de Internet existente.

O termo "coisas", no sentido da IoT, pode se referir a uma grande variedade de dispositivos, como implantes de monitoramento cardíaco, transponders de
biochip para animais de criação, relógios e termostatos inteligentes, automóveis com sensores de pressão dos pneus integrados ou dispositivos de análise de DNA para o monitoramento de ambientes, alimentos e patógenos. Estes dispositivos coletam dados úteis com a ajuda de várias tecnologias existentes e, então, transferem os dados de forma autônoma para outros dispositivos. A capacidade de interconectar dispositivos integrados com capacidade computacional, memória e recursos de energia limitados significa que a IoT apresenta utilidades para praticamente qualquer área, qualquer indústria. As possibilidades são infinitas! (Acesse “IoT de A a Z”).

O
principal objetivo da IoT é aumentar a eficiência operacional, alimentar novos modelos de negócios e melhorar a qualidade de vida. Ao conectar objetos de uso cotidiano e criar uma rede entre eles, nós nos beneficiamos de sua capacidade de combinar dados simples e produzir inteligência útil. No estudo Digital Universe de 2014, conduzido pela empresa de tecnologia EMC e pela empresa de pesquisa IDC, creditou-se à IoT a criação de novas oportunidades para negócios de cinco maneiras principais:

  • Novos modelos de negócios: A IoT ajudará as empresas a criar novos fluxos de valor para os clientes, instituir processos que antecipam lançamentos para o mercado, realizar triagem do desempenho de mercado e responder rapidamente às demandas dos clientes.
  • Informação em tempo real em sistemas críticos: Com a IoT, as organizações podem captar mais dados sobre seus processos e produtos mais rapidamente, a fim de criar novos fluxos de receita, melhorar a eficiência operacional e aumentar a fidelidade do cliente.
  • Diversificação do fluxos de receita: A IoT pode ajudar empresas a criar novos serviços e novos fluxos de receita além dos seus produtos tradicionais. Por exemplo, fornecedores de máquinas automáticas de vendas podem oferecer gerenciamento de inventário às empresas que abastecem as máquinas.
  • Visibilidade global: A IoT tornará mais fácil que empresas acompanhem todo o negócio independentemente de questões de localização, incluindo o monitoramento da eficiência e eficácia da cadeia de suprimentos, de ponta a ponta.
  • Operações eficientes e inteligentes: O acesso à informação a partir de pontos terminais autônomos, como o que já é oferecido atualmente pelas redes inteligentes a empresas de serviços públicos, permitirá que organizações tomem decisões rápidas sobre preço, logística, vendas e implantação de suporte, entre outros.

Com essas oportunidades, contudo, aumenta também a possibilidade de que mais informações pessoais e dados empresariais existam na nuvem e sejam transmitidos entre dispositivos, o que traz problemas de segurança consideráveis. Para monetizar as oportunidades trazidas pela IoT, não precisaremos apenas de conexões em rede, mas de conexões seguras em rede. A segurança não é apenas uma das principais considerações a serem feitas, ela também é fundamental para que se cumpra a promessa da IoT.

Adorável, mas não isenta de críticas

O grande debate público sobre a IoT se concentra no equilíbrio entre "segurança e liberdade" e "conforto e privacidade de dados". O desconforto está centrado principalmente nos dados pessoais que são automaticamente coletados e que poderiam ser usados por terceiros sem o consentimento ou conhecimento do usuário com propósitos desconhecidos e potencialmente nocivos. Dispositivos inteligentes podem acumular uma enorme quantidade de dados. Já que isso normalmente ocorre discretamente nos bastidores, nunca podemos ter certeza absoluta se estamos sendo "observados" enquanto tais transações acontecem. Instâncias individuais de observação podem parecer suficientemente insignificantes, mas se várias delas forem amalgamadas e remetidas a um terceiro, isto poderia, sob certas circunstâncias, resultar em grave violação de privacidade.

Independentemente das questões relativas à proteção de dados, também é necessário se perguntar quem é o proprietário desta enorme quantidade de dados. Estes dados poderiam ter valor comercial ou social significativo, e ainda não é claro quem teria o direito de usá-los e qual seria o enquadramento jurídico e ético desse uso.

Alguém está me observando

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês) se mostrou receosa quanto à possibilidade de que a IoT limite o controle das pessoas sobre suas próprias vidas: "Não há uma maneira simples de prever como este enorme poder - que se acumula de maneira desproporcional nas mãos de corporações que buscam vantagens econômicas e de governos desejosos de ainda mais controle - será usado. É possível que a Big Data e a Internet das Coisas tornem nosso controle sobre nossas vidas mais difícil, uma vez que nos tornamos cada vez mais transparentes para empresas poderosas e instituições governamentais que, cada vez mais, tornam-se opacas para nós".

Pesquisadores identificaram desafios relativos à privacidade enfrentados por todos os envolvidos no domínio da IoT, desde os fabricantes e desenvolvedores de aplicativos até os próprios consumidores.
Os desafios incluem:

  • Consentimento do usuário: De alguma forma, os usuários precisam ser capazes de dar o seu consentimento informado sobre a coleta de dados. Os usuários, contudo, têm tempo e conhecimento técnico limitados e podem não compreender as implicações relativas à privacidade de dados.
  • Liberdade de escolha: Tanto as medidas para proteção da privacidade quanto os padrões subjacentes deveriam promover a liberdade de escolha.
  • Anonimato: Plataformas IoT dão pouca atenção ao anonimato do usuário ao transmitir dados. No futuro, as plataformas poderiam, por exemplo, usar tecnologias para que o perfil dos usuários não seja tão detalhado com base no comportamento de suas "coisas".

Também foram levantadas considerações sobre o fato de que a IoT está se desenvolvendo rapidamente sem a avaliação apropriada dos profundos desafios de segurança envolvidos e sem as alterações regulatórias necessárias.


Evitando conexões criminosas

Dispositivos controlados por computador em automóveis, como freios, motor, travas, acionadores de capota e carga, buzina, ar condicionado e painel se mostraram vulneráveis a ataques baseados na rede de bordo. Em alguns casos, os sistemas de computadores dos veículos são conectados à Internet, o que permite que sejam explorados remotamente. Em 2008, pesquisadores de segurança mostraram que é possível controlar remotamente marcapassos sem autoridade. Hackers demonstraram, mais tarde, serem capazes de controlar bombas de insulina. E, sim, geladeiras também se mostraram vulneráveis a ataques de hackers.

A despeito das preocupações, a interconectividade das coisas ainda promete muito. Coisas mais inteligentes e interconectadas significam mais oportunidades para que as empresas levem a segurança virtual a sério. 

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