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Lições da Copa

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Independente do desempenho da seleção canarinho, o Brasil pode ter uma grande vitória com a Copa do Mundo: a melhoria da gestão de riscos e de engenharia em grandes obras. Este ativo intangível só é conquistado, na maioria das vezes, com a experiência – um processo de décadas, na maioria das nações. No Brasil, a conjunção das obras dos Programas de Aceleração do Crescimento com o pacote da Copa, que visava deixar um legado para o País, trouxe à baila pontos críticos que, se observados, podem fazer a diferença daqui para a frente.

É o caso, por exemplo, da análise do projeto antes mesmo que ele venha a ser licitado. Como algumas obras de mobilidade já quase concluídas estão evidenciando, a defasagem entre a demanda real e a que foi projetada implica  custos de refação que, outrossim, poderiam ser evitados. Estudos do Building Research Establishment (BRE), do Reino Unido, mostram que erros na construção têm 50% da sua origem na fase de projeto – um percentual que não pode ser ignorado.

Erros de cobertura

Sobre a questão do cronograma, é preciso fazer uma distinção. O capital privado, que depende do início das operações de um determinado ativo para começar a recuperar os investimentos, tende a valorizar mais o cumprimento de datas. Ainda assim, imprevistos no transporte de equipamentos, incidentes climáticos e falta de mão de obra podem atrasar desde uma fábrica até um condomínio de apartamentos. Grandes obras públicas, por sua vez, estão sujeitas a uma gama maior de etapas burocráticas e riscos, como estudos de impacto ambiental, acordos de compensação com comunidades locais, auditorias de tribunais de contas e, em alguns casos, alterações nos prazos de disponibilização das verbas. Seja qual for a causa, hoje já é possível contemplar o fator prazo nas apólices, cobrindo a cessão de lucros por atraso no início das operações.

A cobertura de atrasos é um entre inúmeros mecanismos que o mercado de seguros oferece para elevar a confiança dos investidores em empresas e governos, protegendo aportes vultosos e riscos complexos. Mais do que cobrir prejuízos, hoje as seguradoras trabalham para evitar ou minimizar riscos. O expertise internacional, que agrega conhecimento sobre melhores práticas e estatísticas globais, combinado com o conhecimento do mercado local, permite oferecer uma consultoria efetiva não só no correto dimensionamento do risco, mas em fatores que podem ser mitigados.

Nossa experiência mostra que o trabalho conjunto entre subscritores e engenheiros favorece muito o setor da construção, que tem desafios muito semelhantes em todo o mundo. A começar pelo fator humano, pois, quando falamos de construção, incidentes podem significar mortes: qualquer outra taxa de incidência de acidentes de trabalho que não seja zero indica que alguém, no mínimo, se feriu. De acordo com a Previdência Social, a construção de edificações é o segundo setor com o maior número de mortes em acidentes do trabalho no país, perdendo apenas para a área de transporte rodoviário de carga. E as obras dos estádios para a Copa infelizmente não foram uma exceção.

Não é fácil atingir o nível zero de acidentes, mas isso é viável, mediante tempo, dedicação e planejamento. Sabendo que o nível de engajamento dos colaboradores é um fator crítico para o atingimento dessa meta, o XL Group realiza pesquisa em todos os níveis da organização para ajudar seus clientes nos Estados Unidos a identificar o grau de envolvimento dos funcionários. Quando os valores fundamentais são devidamente estabelecidos, basta apenas verificar e ajustar práticas, processos e procedimentos ao longo do tempo. Mas se não há uma base sólida, é preciso começar pela construção de uma cultura corporativa de segurança.

Como vários protestos de rua sinalizaram, o Brasil precisa mais do que estádios, portanto as lições da Copa são importantíssimas para as estradas, portos, escolas, hospitais e residências, que devem manter o crescimento do setor nos próximos anos. A estimativa do Sinduscon para o crescimento da construção civil em 2014 é de 2,8%. A Abramat, que reúne os fabricantes de materiais de construção, é mais otimista: aumento de 4,5% nas vendas de materiais de construção neste ano, movimentando R$ 104,4 bilhões. O governo continuará investindo: na proposta de Lei Orçamentária, a previsão de investimentos no PAC 2 neste ano é de R$ 54,463 bilhões. Uma gestão adequada de riscos é fundamental para a eficiência desses investimentos.

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